segunda-feira, 17 de julho de 2017

O principio

Este ano, em Janeiro decidi salvar a minha vida. Interrompi os estudos, larguei família e amigos e fui para Londres, internar-me num hospital psiquiátrico por tempo indefinido. A razão que me levou a fazer isto foi o meu peso. Mas passados 3 meses e meio de lá ter estado apercebi-me que o meu peso era uma consequência de um problema pré-existente e não a origem de um.
Fui diagnosticado com uma depressão grave e com ansiedade também. Estes dois problemas levaram-me ao meu problema alimentar. Eu comia compulsivamente por duas razões, para esconder as emoções, e para não ter de lidar com elas, era capaz de comer 3 pizzas familiares e ainda ir ao McDonald's só para não ter de me sentir mal, era assim que lidava com as coisas.
Era um Rapaz com uma autoestima no lixo, que duvidava de tudo em mim, que noite sim noite sim chorava ao adormecer, que me sentia sempre só, por muito acompanhado que estivesse, e não me matei por uma razão e uma só razão, a minha fé, que apesar de muito tremida, era o único refugio que tinha.
Sempre que me punha de joelhos diante de Nosso Senhor, sentia-me em casa, sentia-me seguro, sentia-me acompanhado, sentia-me amado. A mais nada se deve a minha vida que não a este facto: à minha fé, e a minha fé deve-se a duas pessoas, duas pessoas sem as quais eu não existiria, aos meus dois pais.
Quando os meus pais descobriram que estavam à minha espera escreveram uma carta para me entregar nos meus 18 anos, nessa carta, que guardo com muita estima, esta escrito que a maior herança que ele me podiam dar era a fé, e graças a Deus que a herdei. Sem ela não estaria a escrever isto, sem ela os meus pais estariam de luto.
Agradeço do fundo do meu coração, a transmissão de fé que tive, sem ela estaria morto.
obrigado pais

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